A Odisseia: a guerra para além da lógica da destruição


É bem legal perceber quando um cineasta olha para sua obra em retrospecto buscando aperfeiçoar pontos de fragilidade do seu trabalho pregresso como um todo. Penso que essa, certamente, tem sido uma das principais questões para o Nolan na última década.
Notar o quanto o realizador vai percebendo seu processo de criação e modulando esse ajuste constituído pela retirada de excessos, a reparação de falhas técnico-conceituais, etc. é entender que, chegado esse ponto da sua carreira, o diretor parece fechar um contrato com a prática do seu estilo de cinema da forma mais honesta possível.
E o que parecia algo difícil de ele agenciar no intervalo de tempo entre O Grande Truque (2005) e Interestelar (2015), hoje, considerando o período que separa Dunkirk (2017) de A Odisseia (2026), notamos que há uma mudança significativa no modo de criação das narrativas desses trabalhos.
Enquanto que naquela segunda década da sua produção os filmes geralmente tinham uma estrutura truncada de dramaturgia, idealização fotográfica e uma certa exacerbação e generalidade na construção dos componentes sonoros, agora, todos esses elementos se integram de modo muito mais coeso e orgânico.
Gosto muito como, por exemplo, o design de produção do filme opera numa dicotomia que coloca grandes locações reais e espaços construídos em uma escala grandiosa ao lado de um arranjo cênico mais diminuto, como por exemplo, uma grande caverna e um grupo de humanos, uma praia deserta de grande extensão composta por uma pequena tenda à beira-mar, a imensidão do Oceano no contraste com uma única frota marítima.
É bem contundente, portanto, a reflexão que o Nolan propõe sobre como a ideia da guerra, para além dessa lógica de destruição e aniquilamento dos mundos, acaba por fraturar, do mesmo modo, o estado mais íntimo daqueles que escrevem os eventos no nível mais direto da coisa.
São elementos que acabam se harmonizando apesar dessa dinâmica de desproporção entre a fisicalidades dos espaços e dos conjunto de atores.
Falo mais a respeito do filme no vídeo abaixo:


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