O Fim da Rua: o tempo da intercalação entre gêneros
- danielsa510

- há 10 horas
- 2 min de leitura

Gosto bastante do modo como O Fim da Rua (2026) vai intercalando uma perspectiva dramático-familiar e aventuresca sem necessariamente atropelar a experiência do gênero ou buscando uma mescla forçada a partir de gatilhos temáticos aleatórios.
Há um tempo para o desenvolvimento de cada um dos momentos da obra. A introdução nos apresenta a vizinhança e o núcleo da família protagonista na intenção de nos ambientar na sua dinâmica e conflitos internos.
Quando o problema principal da narrativa se instaura, esse núcleo precisa se reestabelecer dentro de um contexto adverso e de limitação de recursos e espaços. No geral, a premissa lembra demais A Última Casa (2026), com a diferença de que, aqui, o Robert Mitchell consegue estabelecer um fluxo na progressão dos eventos de um modo "ascensionado".
Os personagens saem de um ponto físico a outro ao mesmo tempo em que, ao fim do processo, já não concluem a jornada da mesma forma com que começaram a história (em parte). Isso porque, de alguma forma, tudo se conclui de um modo apaziguador.
Como se, ou por uma crença inabalável num certo positivismo idealizador, as coisas tivessem de terminar da melhor forma possível.
Considerando a realidade projetada pelo filme, nada volta a ser como antes, mas, ainda assim, o sentido é de uma certa falta de coragem na sustentação do curso e dos efeitos ou consequências referidas a determinados eventos, digamos, sem retorno.
E esse é um dos pontos mais fortes na comparação entre It Follows (2014) e este novo trabalho do Mitchell porque ele ameniza e despotencializa o impacto da tragédia em torno da vida daquela família.
Mas se considerarmos que o estar trágico, se formos seguir a lógica aristotélica só estaria vinculada às experiências dos heróis de feitos sobre-humanos - para os humanos deste filme-, a catarse da vida como um sonho lúcido se encaixa melhor à proposta de uma aventura distópica contextualizada na premissa de um cinema pipoca.
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