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Copan (2025): indo além do "filme-denúncia"

Foto do escritor: danielsa510
danielsa510
há 3 horas
2 min de leitura
Crédito: Vitrine Filmes
Crédito: Vitrine Filmes

A aproximação que a Carine Wallauer propõe tem uma aparência, ou melhor, uma proposição que vem exogenamente para, então, alcançar uma dimensão ou forma endógena, que vem de dentro para fora.


Gosto muito como ela, em Copan (2025), supera a ideação do "filme-denúncia" ao pior exemplo dos trabalhos de uma Petra Costa da vida ou nos moldes de uma estrutura nostálgica tóxica e debochada que alguém como Kleber Mendonça Filho geralmente tende ao estabelecer sua relação com o cinema e consequentemente ler as coisas ao seu redor.


Renunciando a tudo isso, a cineasta opta por uma abordagem observacional não manipulativa. Sua câmera ora parece bem visível, reage aos personagens, ora se oculta a eles e a nós mesmos, enquanto espectadores diante da obra. Nesse sentido, o filme estabelece um parâmetro de construção narrativa muito instigante nos moldes do que observamos em A Voz de Deus (2026).


Interessante como ambos os filmes conversam pelo modo que se aproximam dos seus interesses narratológicos. Aqui, faço questão de usar o verbo interessar ao invés da noção do objeto por entender que esse tipo de documentário tem muita consciência dessa estrutura e parece evitar, conscientemente, o julgo unilateral e equivocado da crítica enviezada.


Ao falar do autoritarismo e da polarização em um país gigantesco e complexo como o Brasil, a diretora lança mão do prédio como esse organismo vivo e microcósmico a representar essa parte pelo todo que o país representaria ou poderia ser representado naquele contexto das eleições presidenciais de 2022.


Mais uma vez, vindo de dentro para fora, Wallauer utiliza como interesse a dinâmica entre os milhares de moradores do condomínio durante o período da escolha de um novo síndico. Todas as tensões, as diferenças e perspectivas de vida bifurcadas são colocadas à mostra pela lógica do dispositivo.


Seja pelas câmeras que mediam as relações à distância das pessoas (em função do período ainda pandêmico daquele contexto) ou pela câmera do cinema como dispositivo da modulação artística em curso.


Ainda assim, a obra não se deixa engolir pelo ponto de vista, na retomada, inclusive, de uma excelente posição que a muito lembram as melhores experiências de "cinema de dispositivo" da década de 2010.

E assim como Gabriel Mascaro, Marcelo Pedroso, Allan Ribeiro ou Everlane Moraes, Carine não abre mão da sua obra porque o conceito, desde o princípio, está (e se apresenta) muito bem estabelecido.


Realismo e onirismo, a espontaneidade e a encenação se unem como parte de um mesmo cosmos, como todo bom cinema se entende e se apresenta no mundo, independente da experiência do gênero, etc.

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