top of page

Acampamento Miasma: o lugar-comum no terror contemporâneo

Foto do escritor: danielsa510
danielsa510
há 10 minutos
2 min de leitura
Crédito: Mubi
Crédito: Mubi

Acampamento Miasma (2026) lida muito mal com a própria ideia de metalinguagem que tenta emular na sua estrutura. O problema em si não é nem o processo metalinguístico. O cinema fala de si o tempo todo, quase desde sempre. E, nesse sentido, o olhar para dentro assume diferentes tonalidades e modos de ser.


Algo que independe do gênero, mas que precisa ter um certo grau de perícia na abordagem. É aqui que Jane Schoenbrun se trai na condução da própria proposta.


Entendo a relevância de mais uma realizadora se colocando nessa experiência com o terror mais frontal, onde o grafismo da violência e do sexo assumem um certo despojamento e tensionam as intenções de uma determinada faixa espectatorial que resiste a essas formas de representação pela máquina-cinema.


Mas ao mesmo tempo em que a obra busca essa fricção considerando esse sistema, código discursivo, ele se esgota na tentativa de minimamente elaborar um pensamento mais consistente sobre a forma como o filme se apresenta em si.


E aí, uma cineasta que não filma, um monstro sem origem definida, e meia dúzia de personagens de ilustração situacionais apresentadas, muitas vezes, de modo totalmente descontextualizados, são a tônica de um trabalho sem "corpo" algum.


Interessante essa coisa da corporeidade do filme considerando a possibilidade que o terror tem de radicalizar no modo de apresentação das propostas, dos eventos. Tecnicamente falando, há momentos constrangedores. Um corpo que é destroçado em um pedaço de mastro fala muito disso.


Em um plano aberto, com uma tomada estática, por um momento, pensei que estivesse assistindo um inserção de algum clipe do videogame Mortal Kombat da década de 1990. Seria legal, se a proposta fosse, de fato, essa. Não era o caso. É só displicente mesmo.


É a "Escola Substância" e de uma prática cinematográfica que acredita demais na incapacidade do espectador de entender o que ele vê diante de si e do que sai direto da tela.


A validação sem sentido de Cannes, do mesmo modo, tem responsabilidade nisso e tem perpetuado padrões ao longo dos últimos anos no pior sentido da palavra. Adiante.


Quer saber mais sobre o filme? Confira a análise completa feita no Canal Uma Mulher com uma Câmera 👇🏼


Comentários


bottom of page