top of page

Resident Evil (2026): um medo inoculado, inerente ao ser humano

Foto do escritor: danielsa510
danielsa510
há 8 minutos
3 min de leitura
Crédito: Resident Evil Fandom
Crédito: Resident Evil Fandom

Resident Evil (2026) é, sem dúvidas, o filme de terror mais irregular do Zach Cregger. Se em Noites Brutais (2022) e A Hora do Mal (2025) a gente percebia uma estrutura narrativa que se alongava em função de uma compartimentação escalonada dos eventos, aqui, ele meio que vai utilizando uma lógica de sequenciamento pouco variável em torno do que acontece com e ao redor do protagonista.


Talvez em função da ideia de uma história que acontece no curso de uma única noite ou da própria dinâmica adaptativa do gameplay, ou da jogabilidade própria dos vídeo games, fato é que o filme parece se completar ali por volta dos seus 50 minutos.


A circularidade com que as situações se dão revela a fragilidade de uma narração quase invariável. Na comparação e ao contrário do que notamos com os outros trabalhos do Paul W. S. Anderson, principalmente "Retribuição" (2012), essa adaptação parte de uma premissa realista para fundamentar um estado de exceção fantástico.


E por negar, a princípio, essa construção mais fantasiosa em detrimento de uma concepção calcada no real é que o filme sofra com uma variação tonal que se explicita ainda mais no seu último ato.


O ritmo com que as coisas são apresentadas e o destoamento dessa premissa mais cômica, aliada a uma interpretação dramática hiper fragilizada, escancaram de vez essa risibilidade de uma obra que parece querer em determinados momentos trabalhar um senso de moral, mas que nunca se compromete, de fato, a desenvolver isso em um nível mais elaborado da coisa.


Não é nem que falte elaboração. Gosto bastante, por exemplo, como ele decupa boa parte das cenas a fim de construir uma plástica onde tudo parece estar em foco.


E ao produzir essas imagens e esses quadros quase sem profundidade de campo algum, ele acaba não estetizando a proposta, o que, a meu ver, é algo que funciona muito na intenção de se criar esses quadros muito semelhantes tanto aos dos espaços liminares presentes nos games de survival horror e nas histórias de terror dos fóruns da internet.


Crédito: Resident Evil Fandom
Crédito: Resident Evil Fandom

A esterilidade desses ambientes, seja o interior de um veículo, uma casa, um celeiro, um esgoto ou um galpão abandonado, evocam um estranhamento que materializam, por eles mesmos, uma iconografia do terror, ou seja, da vertente psicológica daquela imagem que antecede a experiência assustadora e acontece antes da revelação do susto em si, etc.


O problema é o uso contínuo dessa fórmula e seu consequente esgotamento. O que pode nos levar a acreditar que a assinatura do diretor esteja mais vinculada a construções de narrativas que independam de um universo já estabelecido. Noites Brutais e A Hora do Mal, como adiantei anteriormente, operam justamente nessa régua.


Maior tempo de metragem que possibilita um desenvolvimento mais gradual e menos atropelado dos eventos na realidade do filme. Quando os monstros, enfim, se revelam, isso não acontece de modo abrupto, como se fosse uma inserção apressada para o encerramento da obra.


Há um tempo para a construção dessas figuras, até mesmo para entendermos as questões que a atravessam, seja o mal por ele mesmo ou por alguma tragédia familiar de contornos irreversíveis. Existe uma mitologia mínima por trás dessa elaboração.


E isso é o que mais faz falta nesse novo "Resident". Não é algo que detone o filme, mas pesa contra ao olharmos para a obra como um todo, já que um filme nunca é apenas um momento ou um conjunto isolado de instantes.

Comentários


bottom of page