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Avatar: Fogo e Cinzas | Um recuo no curso do "já visto"

  • Foto do escritor: danielsa510
    danielsa510
  • 6 de jan.
  • 3 min de leitura
Crédito: 20th Century Studios
Crédito: 20th Century Studios

De fato, James Cameron parece fazer um duplo movimento em Avatar: Fogo e Cinzas (2025). Ele parte das premissas desse universo já estabelecido da série cinematográfica, mas não se mostra disposto a ir além do que já havia elaborado em O Caminho da Água (2022).


Certamente esse é o maior estranhamento e ponto de vulnerabilidade do filme como um todo, já que a impressão final é a de uma reiteração em torno de algo já visto. Falta desenvolvimento em torno daquilo o que a tribo das "Cinzas", como novo elemento a ser introduzido poderia vir a agregar e sobram referências a respeito de tudo o que já vimos no filme antecessor.


Óbvio que não se trata do "roteiro" unicamente. Reduzir a análise a esse ponto apenas é hiperreduzir a discussão para o mero elemento técnico e não seria o caso, aqui. Há, por outro lado, e é preciso considerar isto, uma decisão de fazer esse retorno ao que já fora a despeito daquilo o que poderia vir a ser e isso detona o ritmo da narrativa já um pouco depois do primeiro ato terminar.


A impressão que ficamos é a de que o filme, na verdade, também se encerra ali. Talvez por isso a sensação de incompletude. Falta algo e isso responde a ausência de um aprofundamento maior quanto ao desenvolvimento desse novo povo enquanto fio condutor da estória, a exemplo do que vimos na segunda obra.


Só há um único momento em que chegamos mais junto àquilo o que eles são e ainda assim a abordagem é muito superficial. Interessante que essa superficialidade não está nem relacionada à questão das falas ou no modo como certas situações são arquitetadas, a exemplo do que vemos em filmes como Wake Up Dead Man (2025), do do Jonhson, ou Jurassic World: Rebirth (2025).


Os personagens do Cameron também não são poços de complexidades, mas a diferença, aqui, é que essas figuras não são descartáveis ou estão inseridos em situações de frágil elaboração dramatúrgicas, caricatas em última medida. Óbvio que o que eles fazem com Varang, enquanto vilã, não deixa de ter um tom de descartabilidade ao fim de tudo.


E o que lemos na sinopse do filme, na verdade, não se confirma, uma vez que essa antagonista não encarna um ideal de alguém irrefreável, implacável, impiedosa, etc. Ela até transparece essa aura, mas o modo como a personagem é retratada, e o mais importante, a forma como os acontecimentos movidos por ela e suas ações são apresentadas, não nos dão indícios desse traço que a premissa do filme supostamente viria a apontar.


A título de comparação, isso só se estabeleceria se o Cameron tivesse conseguido criar essa feiticeira como essa antítese daquilo o que o bem representaria na trama. Algo da ordem que os Russos conseguiram pensar para uma figura como Thanos em Guerra Infinita (2018), certamente um dos melhores paradigmas quando pensamos numa vilania possível e honesta dentro do atual sistema hollywoodiano.


Daí, como essa antagonista não concentra uma força nesse sentido, os próprios protagonistas também perdem força em função daquilo o que não se apresenta como desafio dentro da construção dramatúrgico-narratológica. De novo: diferentemente do que a sinopse curta afirma, os heróis não são forçados até o limite das suas forças físicas, etc. para superar os desafios a eles impostos.


Eu até gosto do fato de o Cameron conseguir estabelecer o filme a partir de um conjunto de acontecimentos sequenciados e com algum ritmo, na contraposição a uma narrativa ultra picotada, por exemplo, mas entendo que isso não é suficiente quando esses mesmos eventos não são estruturados em função da expansão daquilo o que ainda não vimos.


Ou seja, ao invés de nos presentar as nuances em torno do que as a população das Cinzas e o poder do fogo encarnado pelos militares teriam a oferecer, a estória retorna à água, recua no deja vu do que já foi. O que é uma pena na comparação do que vimos na segunda parte da série.

 
 
 

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