top of page

O Sobrevivente: cinema de descarte

  • Foto do escritor: danielsa510
    danielsa510
  • 24 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura
Crédito: Paramount Pictures
Crédito: Paramount Pictures

Direção: Edgar Wright. Roteiro: Michael Bacall, Edgar Wright, Stephen King. Direção de Fotografia: Chung Chung-hoon. Design de Produção: Stefania CellaMúsica: Steven Price. Produção: Jon F. Vein, Eric Robinson, Warren Zanes, Tracey Landon. Montagem: Paul Machliss. Som: Colin Nicolson. Design de Produção: Marcus Rowland.


Aquilo o que poderíamos convencionar como sendo os filmes do subgênero "Brucutu Movies", em nada têm a ver com produções que levassem o estigma de falta de perícia ou apuro estético-conceitual que fosse no trato do cinema.


Os machões musculosos e marrentos cheios de problemas por resolver e para resolver dentro das narrativas dessas obras até poderiam não representar o refinamento de uma prática cinematográfica "elevada" e tal, mas tinham o bônus de ser aquilo o que eles poderiam vir a ser ou eram, muitos deles, bons filmes de ação (Comando para Matar), ou obras realmente excelentes (Predador, Fúria Mortal, Braddock - O Super Comando).


Refletindo sobre o século XXI, a impressão que ficamos em relação a determinados filmes é que eles não parecem funcionar em nenhum aspecto. Dada a experiência com Ladrões (2025) eu realmente não acreditaria que nenhum outro filme, ao longo desse ano, pudesse ser tão ruim quanto esse último projeto do Darren Aronofsky, mas fato é que o Edgar Wright conseguiu.


Ou seja, a questão não é nem ser um filme ação comercial, etc. O ponto é a obra não ter uma consistência mínima nos termos daquilo o que estávamos discutindo no início do texto.


A cartela de apresentação dos créditos iniciais do filme apresenta-o como sendo algo feito numa pegada de cinema de autor: "a Edgar Wright film", mas em verdade, esse é um tipo de produção que poderia ser feita por qualquer outro realizador que fosse e ainda assim soaria genérica e esquecível, caso a mesma abordagem e decisões estéticas e conceituais fosse mantida.


Nada sobra ou parece resistir nesse cinema feito de modo inconsciente. Diante da tela, ficamos, por vezes, enquanto espectadores, imersos em uma pretensa passividade, um estado de letargia ou esmo de incredulidade sobre aquilo o que estamos vendo. A mediocridade no exercício da realização pode alcançar diferentes níveis, a depender das questões que atravessem uma produção.


Em se tratando de Hollywood, reforço, não se trata de estar diante do cinemão mainstream, visto que muita coisa boa ou minimamente decente pode vir dos grandes estúdios, também. Mas quando a preguiça do fazer se alia com a falta de criatividade e o mecanicismo na prática artística, pouco resta na experiência com o filme.


É algo bizarro porque o Wright não consegue construir uma cena dentro de uma sequência. Não há proposta de uma estruturação rítmica entre os eventos. Tudo vai acontecendo a revelia de uma premissa contextual.


E quando falamos de distopias, como parece ser esse o caso, vale demais esse mergulho na realidade da narrativa, seja em termos de arranjo atmosférico ou de estabelecimento de um conjunto dramatúrgico considerando elenco, etc.


Nunca nos importamos verdadeiramente com o que venha a acontecer com essas figuras. A estereotipia é uma base de onde tudo se pauta (o personagem raivoso que se apresenta assim porque ele mesmo diz algumas vezes ter esse traço; a personagem libertina que se apresenta assim em função de um outro personagem que seria seu equivalente no jogo e na trama também ter sido apontado com esse perfil).


Enfim, tudo é posto no filme em um nível de risibilidade que impressiona e que, por isso mesmo, cause tanta raiva. Nada mais importa. Aqui, o cinema se auto reseta, negativamente falando.

Comentários


bottom of page