Extermínio: O Templo dos Ossos | uma experiência fílmica
- danielsa510

- 26 de jan.
- 2 min de leitura

Agrada muito o fato de a Nia DaCosta não ter tentado apenas emular uma "estética" ou modo de captar as coisas como o Danny Boyle faria. Há uma visão muito específica e definida sobre qual tipo de filme estamos lidando.
Pode parecer redundância falar de um filme "cinematográfico" mas, considerando a experiência do cinema mainstream contemporâneo, Extermínio: O Templo dos Ossos (2026) tem, nesse traço, seu mais forte ponto de distinção em termos comparativos.
Se todo filme é cinema, nem toda experiência fílmica, no entanto, pode demonstrar a capacidade de nos evocar um sentimento de completude enquanto espectadores em uma vivência estética diante da obra. Aqui, DaCosta decide, verdadeiramente lançar mão de uma narrativa em fluxo contínuo, digamos.
Sem retroceder ou avançar numa linha temporal que seja, ela opera a cronologia do trabalho a partir das consequências ou dos efeitos que os eventos sugerem na realidade do filme. É básico, efetivo e muito certeiro na ideia de ser uma redução em relação ao que vimos ao longo dos três filmes anteriores.
Ele lembra bastante o original de 2002 quando levamos em conta o elemento da dramaturgia como uma peça central para o desenvolvimento dos eventos, mas se distigue em função de um ponto bem específico: é um filme com uma consciência estrutural imensa.
Bem compartimentado, ele se subdivide em poucos blocos de acontecimentos que não se encavalam ou se alternam numa tentativa - como visto comumente na experiência do cinema recente - de se autoexplicar o tempo todo em função daquilo o que não estaria propriamente pontuado no tecido narrativo.
Cada sequência tem sua duração distendida de um modo que raramente vemos no estado atual da cinematografia contemporânea dos grades estúdios. Na comparação com a literatura, por exemplo, é como pensarmos a concepção do texto estruturado por meio de parágrafos estabelecidos por uma única ideia.
Para cada segmento textual, uma nova ideia em curso. Aqui, Nia opera na mesma lógica, só que se valendo para isso dos encadeamentos por meio das sequências. E elas são poucas, juntando tudo, é como se o filme tivesse talvez cerca de 8 a 9 momentos apenas.
Tempo suficiente considerando o fato de que saímos da sessão com a impressão de termos assistido a um filme de no máximo 90 minutos e não aproximadamente 120 no total.
Acho que os comentários negativos que temos visto, sobretudo por parte de um recorte dos jornalistas, "críticos" de veículos de comunicação em geral e dos adolescentes que publicam nesses fóruns da internet, tipo Reedit, etc, advém do fato de eles não entenderem quando uma obra opera fora dos limites que as convenções e os clichês da experiência contemporânea pressupõe.
O que coloca, na verdade em negativo, a exposição de um problema que parte, não da peça fílmica em si, mas dá incapacidade de leitura e reinterpretação por parte das pessoas por trás de um teclado e uma tela preta em linhas gerais.



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