Meshes of the Afternoon: o onirismo pragmático de Maya Deren
- danielsa510

- 2 de ago. de 2021
- 2 min de leitura

Direção: Maya Deren, Alexander Hammid. Roteiro:Maya Deren. Montagem: Maya Deren. Direção de Fotografia: Alexander Hammid. Música: Teiji Ito.
A reflexão sobre o cinema ser uma arte que ultrapassa a mera condição da contação de estórias, já estava implicitamente presente na filmografia de Deren, desde o início. Esse memorável curta prova isso bem. Não interessa tanto o sentido, mais vale a construção da ideia de sugestão.
Muitas vezes essa concepção leva o discurso para um campo esvaziado do que seria um cinema que lida com as representações sensoriais dos seus personagens e suas tramas. Ao contrário, Deren evidência de modo bem prático e direto como esse coeficiente sensorial da cinematografia que experimenta funciona.
Tanto isso é verdade que ela brinca com esse jogo. A repetição das situações é uma forma prática como ela materializa essa dimensão onírica em circuito fechado. Apesar desse escopo nos remeter a um princípio rígido, ela e Hammid, conseguem inserir sempre um conjunto novo para atualizar a cena e movê - lá para frente.
Voltamos ao pararadigma do filme que "conta uma estorinha", entende?! Por isso o próprio cinema de Deren geralmente é associado à assinatura de outros autores contemporâneos, como Lynch, Peter Tscherkassky ou Bertrand Mandico.
Claro que como se sabe, de 1943 a 1958 a escrita dela foi a aproximando cada dez mais de uma investigação cada vez mais experimental, sobretudo no que diz respeito ao trabalho com o Coreocinema. Mas aqui, esse passo inicial foi de fato determinante para a noção do papel da montagem na sua obra e da citação do cinema como verdadeira forma artística e dialética.
Essa curta canônico está disponível no catálogo da Mubi e no canal Clássico de Mulheres no Cinema no link abaixo



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