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O Diabo Veste Prada 2: e o cinema não importa

  • Foto do escritor: danielsa510
    danielsa510
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura
Crédito: 20th Century Studios
Crédito: 20th Century Studios

O Diabo Veste Prada 2 (2026) é, de fato, uma obra sobre personagens sem futuro e feito para o espectador médio preocupado apenas com o senso nostálgico do competente primeiro filme ou que se anima ao ver a cantora pop preferida em uma inserção totalmente gratuita e destituída de organicidade fílmica.


Uma narrativa que coloca no centro da sua estrutura temática - se é que podemos dizer que a obra tenha uma narrativa que seja - uma figura de chefia viciada em trabalho e que acredita que sua persona é insubstituível no circulo onde ela se insere; um subordinado aspirante a segundo nome na cadeia de comando da revista que empresta a ideia desse espaço laboral, mas que se diminui na incapacidade de aspirar algo maior ao que ele mesmo talvez viesse a querer; e uma "protagonista" congelada no tempo e construída sobre um perfil idiotizante e moralista acerca do quanto o mundo pode ser um lugar injusto de se viver para aqueles que já vivem cercados de privilégios.


Na soma de tudo isso e na comparação com o antecessor, uma das piores coisas dessa sequência é, certamente, ela não parecer ser feita por personagens "reais". Tudo é pré-encenado, estabelecido e ordenado dentro de um índice de previsibilidade absurdo.


No vazio do cinema enquanto máquina de discursos temáticos "importantes" e pouco engajado na sua constituição como uma prática que se opera por meio da forma, é interessante notarmos como o uso das telas, por exemplo, escancara a miopia de um trabalho incapaz de olhar para sua elaboração de modo minimamente criativo.


Detesto o lugar de dizer aquilo o que um filme deveria ou não vir a ser. Até mesmo porque esse não é o lugar do analista, ou pelo menos daqueles que entendem seu valor no papel. Mas entendo que, nesse caso, todos os celulares, tablets, notebooks, televisores, etc que aparecem em diversas e diversas cenas ao longo do filme, seriam um excelente código crítico para uma ambiência que precederia desses dispositivos.


E o que o David Frankel (ou na verdade a Fox, como esse elemento etéreo e inominável da grande cadeia da indústria hollywoodiana, já que de fato não há um senso de direção ou autoria que seja aqui, faz) é endossar o uso disso ao invés de apontar a autocrítica. É de um esvaziamento conteudístico e criativo abissal.


Afora a ideia de uma lógica politicamente correta que contamina a história do princípio ao fim. Talvez algo que seja fruto de um filme que se pensa muito menos como uma ficção, comédia de costume em si e mais como um aceno para um mundo contemporâneo idealizado e careta.


Como se a obra fosse um espelho reflexivo idiotizado e reverso do primeiro filme. Nisso, a persona de Sachs encarna bem tudo isso da pior forma possível. É engraçado como algumas pessoas tendem aa tecer uma critica à Dakota Johnson por ela ser uma "atriz sem brilho", etc, sobretudo em relação ao papel dela em Amores Materialistas (2025) e Splitsville (2025), mas no caso da Anne Hathaway, ao meu ver, aí sim fica óbvio o quanto ela não seria uma atriz versátil.


Não se trata bem dos filmes do Frankel em si exigirem uma alta performance e certamente essa é a maior diferença entre o filme original e este. Se na obra de 2006 não levávamos a narrativa muito a sério, isso era porque a estrutura da estória se despojava do fato de ser um filme de gênero mesmo e não uma obra de amenidades politicamente correta.


Por isso o antecessor funciona muito melhor e soa mais honesto. Podendo em verdade, pelo menos, ser considerado um filme. Ao passo que o projeto de 2026 é só entretenimento mesmo...e tudo bem.

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