Missão: Impossível - a marca da autoria na série cinematográfica
- danielsa510

- 23 de fev. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 14 de mar. de 2023

Direção: Brian De Palma. Roteiro: David Koepp. Produção: Tom Cruise. Montagem: Paul Hirsch. Fotografia: Stephen H. Burum. Design de Produção: Norman Reynolds. Música: Danny Elfman. Som: Christopher Boyes.
Para além do índice do filme de ação e aventura, Missão Impossível leva na sua gênese o tato da obra que preserva minimamente o traçado da autoria na sua constituição. De 1996 a 2023, essa tem sido uma tônica operada em cada uma das sete obras lançadas pela Paramount desde então.
Mais do que qualquer outro trabalho dessa linha cronológica, o longa-metragem dirigido por Brian De Palma certamente é o que melhor encarna esse ideal da obra de subgênero. Um dos melhores filmes de espionagem dos últimos 25 anos, o primeiro "Missão" carrega muitos méritos na sua existência.
A começar pelo seu caráter macroexistencial. Em um contexto onde o cinema de ação ocidental oscilava bastante entre projetos mais refinados como "Na Linha de Fogo" (1993) e Fogo contra Fogo (1995) e outros mais genéricos como "007 Um Novo Dia para Morrer" (2002), esse primeiro trabalho da franquia opera em um sólido terreno entre a complexidade dos eventos que a ação demanda e a veia espetacular do cinema como entretenimento mesmo.
Uma simbiose que gera essa confluência onde a ação não se limita a ser um elemento figurativo naquilo o que o filme é. Ela existe em duas frentes distintas. Uma ligada à um ideal de proporção e outra relacionada à sua indissociação ao elemento da luta em si. Falar da proporcionalidade da ação é dizer do modo como ela se ramifica ao longo do filme a partir desse seu caráter polifórmico.
Ela não está restrita à construção do combate corpo a corpo. Ocorre no desenvolvimento da operação de espionagem, numa conversa entre espiões em um restaurante no centro de Praga ou em um embate entre dois personagens que ocorre exclusivamente pela via dialógica, pela perspicácia do protagonista.
Em uma outra aba, a ação é colocada por De Palma de modo muito pontual, ainda assim. Mais precisamente, ela se estabelece a partir de uma única grande sequência dentro de cada um dos três atos os quais o filme é constituído. Longe de ser utilizado como um recurso a esmo, ela é dosada quase matematicamente.
Não há grandes linhas discursivas ou plots megalomaníacos acerca da impossibilidade de algo que essas figuras da MIF (Mission Impossible Force) devam fazer. A estrutura é clássica na sua natureza e por isso ela funciona tão bem. Interessante como, nesse sentido, De Palma dispensa uma abordagem melodramática na alternância da ação de cunho mais objetivo.
Ainda que a estória module esses dois pólos, ela nunca cede ao exagero de supostos conflitos emocionais que certamente só minariam a força da trama. Algo que ocorre exatamente com outros trabalhos posteriores da série como Missão Impossível 3 (2006). Antes disso, o segundo capítulo curiosamente se estabeleceu em uma espécie de meio termo entre a ação, a aventura e alguma coisa de suspense.
Uma experiência proposta por John Woo e que seguiu o plano da franquia de ser esse projeto de sequência, mas que manteria uma assinatura mínima dos diretores envolvidos em cada longa-metragem subsequente. Essa é uma das formas possíveis de lermos Missão: Impossível 2 (2000).



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